Política

Relatório da Papudinha revela: Bolsonaro teve 144 consultas médicas e 36 visitas em menos de 40 dias

Por Jornal do Rio Verde 4 min de leitura

O ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou na segunda-feira (2) um novo pedido de prisão domiciliar para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e um dos argumentos foi o de que o elevado número de visitas recebidas e os dezenas de atendimentos médicos prestados a ele no presídio da Papudinha sinalizam que não justifica deixar o sistema penitenciário.

Bolsonaro recebeu 36 visitas (fora esposa e filhos) e 144 atendimentos médicos entre 15 de janeiro e 22 de fevereiro, ou seja, em 39 dias houve uma média de quase quatro atendimentos por dia.

Os dados, divulgados pelo Estadão, constam de relatório da direção do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, a Papudinha, que embasou a decisão de Alexandre de Moraes.

A perícia reconhece que Bolsonaro é portador de múltiplas doenças crônicas, entre elas hipertensão, apneia grave do sono, obesidade, aterosclerose e refluxo gastroesofágico.

“As comorbidades de Jair Messias Bolsonaro ‘não ensejam, no momento, necessidade de transferência para cuidados em nível hospitalar’, mesmo reconhecendo que possui ‘quadro clínico de alta complexidade, caracterizado por múltiplas doenças crônicas e comorbidades’”, argumentou Moraes.

Além dos atendimentos, o documento também registra 33 caminhadas, 13 sessões de fisioterapia realizadas por um fisioterapeuta particular, 36 visitas e atendimento de advogados em 29 dias e serviços de capelania em quatro, além das visitas sem necessidade de novas autorizações judiciais de sua esposa, filhos, filha e enteada. O relatório também registrou o acompanhamento de seu médico particular, Dr. Brasil Caiado.
Rotina na Papudinha

Segundo relatório, Bolsonaro relata dormir por volta das 22h e acordar às 5h, embora costume levantar-se apenas às 8h. Pela manhã, dedica-se à leitura. Em janeiro, Alexandre de Moraes autorizou o ex-presidente a ler livros para abater a pena na ação da trama golpista. A lista inclui Ainda Estou aqui, de Marcelo Rubens Paiva, e Democracia, de Philip Bunting.

Após o almoço, o ex-presidente descansa cerca de 20 minutos. À tarde, assiste a programas esportivos e conversa com o policial responsável pela guarda externa do alojamento. No fim do dia, realiza caminhada de aproximadamente 1 quilômetro na área comum do batalhão.

Laudo diz que estado geral é bom, lúcido e orientado

O laudo descreve Bolsonaro em bom estado geral, lúcido, orientado no tempo e no espaço e com memória preservada. Também aponta melhora de cerca de 80% na qualidade do sono após o início do uso de CPAP para tratamento da apneia obstrutiva do sono.

Quanto ao refluxo gastroesofágico, embora o uso de medicação contínua, o relatório destaca que o hábito de repousar logo após o almoço e a falta de controle de peso prejudicam a eficácia do tratamento.

Estrutura inclui médico e enfermeiro

Embora o batalhão não possua ambulatório próprio, a unidade conta com médico designado em parceria com a Secretaria de Saúde do DF e com uma Unidade de Saúde Avançada do SAMU, com enfermeiro em plantão 24 horas. Atendimentos ambulatoriais podem ser realizados no Centro de Internação e Reeducação (CIR), a cerca de 3 quilômetros.

Ainda segundo o Estadão, apesar de reconhecer as doenças crônicas, a perícia conclui que todas estão sob controle clínico e medicamentoso, sem necessidade de transferência hospitalar. “As condições e adaptações específicas da unidade prisional atendem, integralmente, as necessidades do condenado”, defende Moraes.

Alimentação não recomendada

O laudo também aponta que a alimentação do ex-presidente é pobre em frutas, verduras e hortaliças, com consumo frequente de ultraprocessados e açúcares refinados, além da ausência de tratamento medicamentoso para obesidade. Ainda assim, os peritos afirmam que o ambiente prisional tem capacidade para garantir dieta fracionada e acompanhamento adequado.

Moraes atendeu neste domingo, 1º, a um pedido da defesa de Bolsonaro para que ele inicie um novo tratamento contra crises de soluço por meio de um Estímulo Elétrico Craniano (CES). Segundo os advogados, com o tratamento foi possível documentar melhoras perceptíveis nos parâmetros gerais de saúde, incluindo sono e ansiedade/depressão.

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