A Dança que Canta: Nandah Gomes e a Magia do Flamenco em “Andaluzia”, de Marcus Biancardini
A Dança que Canta: Nandah Gomes e a Magia Visceral do Flamenco em “Andaluzia”, um das principais obras do concertista e compositor brasileiro Marcus Biancardini
Cultura, Arte, Ancestralidade Visceral e Entretenimento
Quando a música é boa, o corpo responde. E quando o corpo é treinado na linguagem ancestral do flamenco, o palco se transforma em ALTAR. É isso que promete a participação especial da professora e bailarina Nandah Gomes na música “Andaluzia”, do concertista virtuose Marcus Biancardini — um encontro de dois universos artísticos que dialogam pelo que há de mais refinado na expressão estética: o silêncio que dança e o som que pulsa.
“Andaluzia”, composição instrumental de Biancardini, já evoca em seu título uma geografia de paixões e contradições — a Andaluzia espanhola, berço do flamenco, terra de gitanos, de sangue quente e alma profunda. É a essa chama que a professora, dançarina e coreógrafa Nandah Gomes vai trazer ao palco ao vivo, vibrante os giros para nossos olhos.
A poética do corpo flamenco
Nandah Gomes afimra que a dança flamenca não é apenas estética: é dramaturgia, resistência e improviso. É composta de palos — estilos variados — que se distinguem pelo compasso (compás), o sentimento (duende) e a forma. E é sobre essa estrutura ancestral que Nandah Gomes constrói sua leitura artística de “Andaluzia”. Seus sapateados (zapateados) dialogam com a pulsação rítmica dos instrumentos, criando pontes e contrapontos entre a percussão corporal, castanholas e a harmonia da música.
Ela diz que em termos técnicos, sua dança traz um misto impressionante de marcaciones e quiebros — movimentos secos, decididos, em que o corpo se curva e se ergue com precisão. Há em sua dança uma pureza clássica, mas também um frescor contemporâneo, como se ela traduzisse com o corpo as nuances modernas da viola de Biancardini, cujas frases melódicas muitas vezes tangenciam outros estilos de música latino-americana.
Um espetáculo para ver com o peito
Nandah afirma que não é nada comum ver música instrumental sendo acompanhada por uma dançarina solista — Há mais de 20 anos na Dança, a bailarina, coreógrafa e professora Nanda Gomes tece sua pesquisa e formação na diversidade de danças árabes, do oriente médio e derivações. A música instrumental executada ao vivo somada a dança flamenca confere ao espetáculo um caráter quase cinematográfico. A dança se torna narrativa. O palco, território de encantamento.O público, cúmplice da emoção.
Marcus Biancardini, músico de reconhecimento internacional, oferece aqui mais que uma trilha: ele oferece chão. E Nandah pisa firme. A fusão entre seu gesto e o som da viola não é forçada nem ilustrativa: é visceral, é orgânica e ancestral. Como se sempre tivessem existido um para o outro.
Por que você precisa ver isso
Em tempos de tanta superficialidade artística, esse encontro entre música e dança flamenca vem como um oásis para a alma. É arte feita com profundidade, pesquisa, com técnica e, acima de tudo, com verdade. É um convite não apenas para ouvir e assistir, mas para sentir com o coração.
Para os amantes da cultura espanhola, da música instrumental e da dança flamenca, a participação de Nanda Gomes em “Andaluzia” é uma experiência que não se assiste impunemente. Porque, como dizem os velhos mestres flamencos, quando a arte é verdadeira, ela “te atravessa”.
O conceito “Armorial”, criado por Ariano Suassuna, inspira o espetáculo e a obra de Marcus: arte erudita baseada na cultura popular, com forte identidade brasileira, por isso o espetáculo valoriza artistas regionais, representantes legítimos da cultura popular, e compartilham do amor profundo à estética artística ancestral e visceral. Além da expressiva Nandah Gomes, sobe ao palco um pianista, um representante de povo originário, um jovem violeiro goiano de 18 anos e o 1º Museu Itinerante das Violas Brasileiras com as violas mais importantes do país.
O espetáculo será no Teatro “Ferreira Pacheco”, dia 24/07, às 20h00.
Av. João Leite, 1013 – Santa Genoveva, Goiânia-GO.
A classificação é livre. Ingressos disponíveis em santabilheteria ponto com.
Haroldo Lobo (18) 99769.1818 [email protected]
